Grande clássico é manchado por briga e expulsões

Por Letícia Schneider

Levou 110 anos e 423 jogos para o grande clássico gaúcho ser disputado pela primeira vez na Copa Libertadores da América. A expectativa já era grande quando viu-se a possibilidade de Grêmio e Internacional se enfrentarem na fase de grupos. No entanto, o que era para ser um grande jogo virou vexame, alguns atletas pareceram esquecer que aquilo era um campo de futebol e o transformaram num octógono do UFC com socos e pontapés. 

Mesmo com um 0X0 no placar, os dois times teriam realizado uma partida digna de Liberadores com um público de 53 mil torcedores. No jogo, o Inter pressionou mais e levou maior perigo ao gol de Vanderlei, carimbando a trave duas vezes, além do gol perdido por Boschilia no primeiro tempo. A falta de Jean Pyrre foi crucial no meio-campo do tricolor que criou pouco antes do meia armador entrar no segundo tempo.

Já o meia, Edenílson, com a bola rolando fez uma partida exemplar, sua movimentação e boa marcação impediu que o Grêmio criasse. Decisivo em muitos jogos, o atacante Éverton estava apagado e a esperança ficou na entrada de Pepê que renovou os ânimos do dono da casa ao fazer fila com a defesa do Inter, porém o goleiro Marcelo Lomba deixou o grito de gol entalado na garganta do torcedor gremista. Lamentavelmente, o protagonismo dois terminou em um cartão vermelho.

A partir dos 65 minutos o jogo ficou mais emocionante, era bonito de se ver, parecia que a qualquer momento as redes balançariam. Entretanto, faltando cinco minutos para o final do tempo regulamentar a provocação entre Moisés e Pepê depois de um lance de falta manchou o clássico. A partida que testava, logo no início, o sangue frio dos jogadores terminava ali. O juiz errou ao não expulsa-los, pois deu liberdade aos demais para a pancadaria começar e estes não pensaram nas consequências.

Foram oito cartões vermelhos, quatro para cada lado. Felizmente alguns jogadores conseguiram apartar a confusão, pois mais uma expulsão suspenderia o jogo e pioraria ainda mais a situação. Quando a bola voltou a rolar, 12 minutos depois, o Grêmio atacou e o Inter se defendeu. Zagueiro até virou atacante e na última chance clara de gol o volante Lucas Silva chutou forte, mas o goleiro Lomba fez uma incrível defesa, fazendo com que a bola saísse raspando na trave.

A briga não acabou dentro de campo, farpas foram trocadas fora dele. Era mais fácil jogar a culpa no adversário do que assumir o erro. Na entrevista coletiva do Grêmio, o técnico alegou ser contra a violência, mas como ela havia acontecido, não deixaria seu time apanhar. O vice-presidente de futebol, Alessandro Barcellos, não gostou da declaração e atacou Renato afirmando que o treinador gosta de provocar o Internacional, pois devia ser um sonho dele treinar o Colorado. Como diz o ditado popular “quando um não quer, dois não brigam”.

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