Por Julia Barichello
O que realmente significa ter reconhecimento? Para um escritor é receber um prêmio Pulitzer, para um pesquisador é receber um Prêmio Nobel, para um ator é receber um Oscar, para um atleta é receber uma medalha de ouro. Será?
1984 foi o primeiro ano em que as mulheres finalmente puderam competir pela medalha de ouro na maratona do atletismo, afinal, diziam que só os homens tinham capacidade para tal feito. Mas após anos de discussões, finalmente o esperado aconteceu, mulheres correndo e disputando o tão sonhado ouro. O que todos não esperavam é que o nome da grande vencedora da maratona olímpica feminina de 84 caísse no esquecimento e que o reconhecimento seria todo de Gabrielle Andersen.
Ela não terminou a corrida na primeira, na segunda ou mesmo na terceira colocação, a esportista foi a trigésima sétima atleta a completar o percurso. Mas esse final de prova para ela não foi fácil, as pernas cansadas, o sol que fazia o sangue ferver, o corpo desidratado… De alguma forma inimaginável o cansaço era sentido por todos, o estádio inteiro dividia o peso da exaustão e a cada passo da atleta um novo sopro de esperança era sentido pela multidão que gritava e aplaudia o esforço da corredora que não desistia.
Gabrielle caiu nos braços da equipe médica segundos após cruzar a linha de chegada e saiu carregada para atendimento. Ela relatou mais tarde que se sentiu aliviada, mas que estava com muitas dores e extremamente desidratada quando terminou a corrida. Foi atendida, medicada e nunca foi esquecida. Se tornou exemplo de que por mais que o caminho seja difícil, o importante mesmo é não desistir e cruzar a linha de chegada, pois o reconhecimento é consequência do esforço e não de grandes prêmios.

